Quem corre em estrada a sério sabe perfeitamente que o asfalto não perdoa. Por essa razão, quando estamos a construir a base de um ciclo de maratona, a tentação habitual é acumular volume plano.
No entanto, existe uma arma de treino que faz toda a diferença na economia de corrida. Trata-se de ganhar altimetria e força muscular através do sobe e desce constante.
Por outro lado, mudar do asfalto para o trilho com sapatilhas de trail puras costuma significar um grande problema. Por exemplo, estas sapatilhas costumam ser pesadas, rijas e com uma dinâmica a que o corpo não está habituado.
É exatamente para resolver este desafio que surgem as novas ASICS Blazeblast.
Depois da marca japonesa ter descontinuado a linha Novablast TR, este modelo ganha vida própria no segmento road-to-trail. Por isso, coloquei-lhes cerca de 60 quilómetros em cima em estradões e zonas acidentadas. Partilho aqui todos os detalhes de como se comportaram no terreno.
O Ângulo de Análise: A Perspetiva de Quem Vem da Estrada
Em primeiro lugar, importa contextualizar a minha experiência. Eu sou, essencialmente, um corredor de estrada.
Além disso, o trail entra no meu plano de treinos apenas como uma ferramenta específica. Desta forma, consigo fugir ao impacto monótono do alcatrão e fortalecer os quadríceps nas subidas.
Portanto, não levei este par para cristas alpinas ou lamaçal extremo de inverno. O objetivo foi perceber se a Blazeblast cumpre a promessa de ser aquela sapatilha híbrida perfeita. Em suma, queria sair de casa no alcatrão, entrar no estradão de terra e voltar com as pernas intactas.

Ficha Técnica Rápida
- Peso: ~277 g (tamanho de referência)
- Drop: 8 mm
- Entressola: Espuma FF BLAST MAX com geometria em “trampolim” no antepé
- Sola: Borracha ASICSGRIP com relevos (tacos) de 2,5 mm
- Perfil de Utilização: Estrada para trilho fácil, estradão, parques e caminhos de gravilha
- Preço de Tabela: 160 €

No Terreno: 60 km de Teste Intensivo

1. Entressola FF BLAST MAX: O Conforto Familiar da Estrada
Se já correm com modelos de estrada recentes da ASICS, a sensação é imediatamente familiar. Além disso, a entressola é bastante generosa e isola muito bem o pé de pedras soltas.
Nas descidas acidentadas, o amortecimento brilha verdadeiramente. Consequentemente, dissipa a pancada inicial sem parecer uma esponja instável.
Desta forma, entrega uma transição fluida e um retorno de energia equilibrado para treinos longos. Assim, poupa a musculatura de forma impressionante.

2. Estabilidade em Zonas de Sobe e Desce
Confesso que a altura do calcanhar me deixou inicialmente receoso para descer estradões rápidos. Contudo, a geometria da base é larga o suficiente para garantir total segurança.
Além disso, o pé assenta direito sem rotações estranhas. Por conseguinte, o bloqueio no peito do pé segura perfeitamente nas descidas íngremes.

3. Sola ASICSGRIP: Aderência na Dose Certa
O desenho da sola apresenta tacos de cerca de 2,5 mm. Na prática, em estradão e terra batida, a tração é excelente.
Por exemplo, a subir pendentes acentuadas de terra seca, não senti qualquer perda de aderência. Além disso, no asfalto de transição, a sola rola como uma sapatilha de estrada normal.
Por outro lado, para lama densa ou pedra molhada técnica, os tacos de 2,5 mm serão curtos. No entanto, esse nunca foi o propósito anunciado pela marca.

Pontos Fortes vs. Limitações

O que Funciona Muito Bem:
- Transição Impercetível: Alterna entre alcatrão e terra sem alterar a sua mecânica de passada.
- Conforto de Amortecimento: Protege as articulações em treinos com desnível acumulado.
- Ajuste e Atacadores: O peito do pé fica bem fixo e os atacadores não desapertam.
- Relação Qualidade/Preço: Pelos 160 € de tabela, é uma das opções híbridas mais equilibradas.

O que Deves Ter em Conta:
- Proteção da Biqueira: Tem sobreposições leves à frente, exigindo atenção com pedras grandes.
- Sem Placa Anti-Rocha: Não possui rock plate, não sendo indicada para trilhos muito técnicos.

Veredito Final: Tem Lugar na Rotação?
Em conclusão, para o meu perfil e em plena preparação para a maratona, a ASICS Blazeblast fez todo o sentido.
Por essa razão, permitiu-me acumular volume com altimetria mantendo o conforto habitual da estrada. Além disso, a durabilidade da sola ASICSGRIP tem-se mostrado impecável.
Consequentemente, é uma aposta muito sólida para quem quer incluir treinos de desnível fora do alcatrão. Vai continuar, sem dúvida, na minha rotação ativa de treino.



